quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Religião - Budismo


O budismo começou com a história do prínci­
pe Siddartha Gautama, que um dia abandonou seu palácio, sua família, suas riquezas e seu poder para ir em busca da iluminação. Atingiu o "estado de Buda" - o iluminado - e passou a pregar pelos quatro cantos da índia uma nova doutrina de libertação. Nascido no seio do hinduísmo, o budismo saiu de sua terra natal e espalhou-se pelo mundo, tornando-se uma religião importan­te na China, no Japão, no Nepal, no Sri Lanka (antigo Ceilão) e no Tibete.

Atualmente o budismo é a quarta maior reli­gião do mundo (em número de adeptos), vindo depois do cristianismo, do islamismo e do hin­duísmo.

RELIGIÃO OU FILOSOFIA?

O budismo tem muitas escolas ou correntes. É um movi­mento livre, que se foi fazendo diferente em cada cultura em que penetrou.

O budismo theravada, chamado também de budismo do sul, desenvolveu-se na Tailândia, em Mianma (antiga Birmânia), no Camboja e no Laos. Theravada quer dizer "o caminho dos mais velhos". Essa escola pretende seguir os ensi­namentos puros de Buda, que estão contidos no Canon Pali (os livros mais antigos do budismo).

O budismo mahayana, chamado também de budismo do norte, e que significa "grande veículo", é encontrado na China, no Japão, na Coreia, no Tibete e na Mongólia. Esse budismo adaptou certas práticas e ideias presentes nas religiões locais, sobretudo o hinduísmo.

Há também o zen budismo e o budismo tibetano, que são mais específicos do Japão e do Tibete.


Entre as diversas escolas há pontos comuns, que são a iden­tidade budista. Alguns desses pontos deixam certas pessoas (inclusive budistas) em dúvida se o budismo é realmente uma religião ou se se trata de uma filosofia; se é uma forma de culto ou um caminho de autoconhecimento. Às vezes, compara-se o budismo à psicologia desenvolvida no mundo ocidental.


UMA RELIGIÃO SEM DEUS

O budismo é uma das poucas ou talvez a única religião que não acredita numa divindade suprema. O que se conta é que Buda nem defendeu nem negou a existência de Deus. Ao que parece, ele não considerava importante essa crença para o ser atingir a iluminação. Gandhi, ao contrário, achava que Buda acreditava num Deus que faz as leis que regulam a vida, mas não aceitava um Deus que quisesse sacrifícios humanos, como se fazia em sua época.

O que Buda pretendia - e é esse o propósito do budismo - era libertar os seres humanos definitivamente do sofrimento.

Essa libertação é obra individual. Ninguém faz a libertação pelos outros. Cada um deve percorrer o seu próprio caminho. O caminho passa por múltiplas vidas, através da reencarnação, e a libertação é não ter mais de se reencarnar, saindo do ciclo de vidas e atingindo o nirvana - que é um estado de felicidade.

Se pensarmos nessa linha, parece mesmo que o budismo é antes uma prática de autoconhecimento do que uma religião convencional. Mas os budistas também oram, também têm cultos e monges-sacerdotes - tudo o que é típico das religiões. E acreditam que existam seres, chamados de bodhisattvas, que fizeram um voto de ilumi­nação, mas permanecem conosco, por compaixão, para ajudar todos os seres. O ideal do bodhisattva revela que o valor mais importante para o budismo é a compaixão.

Um bodhisattva, literalmente "o herói que aspira à ilumina­ção", é um ser altruísta com uma tremenda coragem. Os bodhi-sattvas são as pessoas que, apesar de serem capazes de atingir individualmente a libertação, optam por colocar aos seus ombros a tarefa de libertar os outros do sofrimento. A compaixão de tal pessoa é ilimitada e transcende todas as considerações de separa­ção. O bodhisattva é o amigo, o servo e o pai espiritual de todos os seres, independentemente de os conhecer pessoalmente.

A profundidade da compaixão do coração de um bodhisattva exprime-se de muitas maneiras, inclusive através de artes visuais. Na cultura tibetana, aquela que é talvez a mais f arnosa descrição da compaixão infinita pode encontrar-se na lenda de Chenrezig, o bodhisattva da compaixão, na sua forma de "Mil braços". Nessa lenda, a preocupação compassiva de Chenrezig por todos os seres era tão intensa, que ele pensou: só se tivesse mil braços e mil olhos poderia satisfazer adequadamente os desejos da infinitude dos seres sensíveis. E a f orça da sua concentração no ponto único dessa aspiração deu-lhe um dia esses mil braços e mil olhos.

(Extraído do texto: "O ideal de bodhisattva", sem autor. http://www.terravista.pt)


AS QUATRO NOBRES VERDADES

Todos os budistas acreditam nas quatro verdades principais ensinadas por Buda:

1. Tudo é sofrimento. .,

2. O sofrimento tem origem nos desejos.

3. A libertação se dá por meio da eliminação dos desejos.

4. Para isso, é preciso trilhar o caminho do meio.

O "caminho do meio" também é cha­mado de "caminho óctuplo", ou dharma, pois a pessoa deve dar oito passos para estar nele, sendo esses passos si­multâneos.

Segundo o historiador das religiões Mircea Eliade, o caminho do meio consiste em:

1. concepção ou opinião correta (ou justa);

2. pensamento correto;

3. palavra correta;

4. atividade correta;

5. meios de existência corretos;

6. atenção correta;

7. concentração correta.


O QUE É A MEDITAÇÃO?

É verdade que os budistas oram para Buda e para os diferen­tes bodhisattvas, mas a principal prática budista é a meditação, também presente no hinduísmo. Segundo o Dalai Lama, líder do budismo tibetano, prémio Nobel da Paz:

Do ponto de vista budista, a meditação é uma disciplina espiritual que nos permite algum nível de controle sobre nossos pensamentos e emoções. (XTV Dalai Lama. Transformando a mente. São Paulo, Martins Fontes, 2000.)

Trata-se, assim, de treinar a mente para a con­centração, para a percepção correta das coisas e para o autodomínio. Explicam os budistas que nossa mente viaja demais, está sempre inquieta, pensando em mil coisas sem se fixar em nada. Daí a dificuldade para estudar, ler, concentrar-se em algum trabalho produtivo. A meditação ajuda a mente a ficar mais focada.

A função da meditação, porém, vai mais longe no budismo: trata-se de, por meio dela, perceber que nada é permanente, que o eu não existe e que a mente deve esvaziar-se completa-mente de tudo o que é mundano para atingir a felicidade.

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